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Cliques inválidos no Google Ads e o dinheiro que não volta

Publicado 5 de novembro de 20269 min de leitura
A business owner and marketer reviewing an advertising decision in their workplace.
A resposta curta

Clique inválido é o clique que o Google considera sem intenção real: bots, cliques repetidos por engano, cliques gerados para inflar custo. A maior parte é filtrada antes da cobrança. O que escapa e é identificado depois volta como crédito na conta. Esse dinheiro, de modo geral, você não perde.

O que você perde é outra coisa: o clique de uma pessoa real que pesquisou algo que você nunca venderia, como "curso de eletricista grátis" no anúncio de uma empresa de instalação elétrica. Para o Google, esse clique é válido e cobrado corretamente. Ninguém reembolsa. Só uma palavra-chave negativa impede que ele se repita.

O que o Google chama de clique inválido

Clique inválido é o clique que o Google considera sem intenção legítima de ver o seu anúncio: tráfego automatizado, cliques repetidos sem valor, cliques gerados para prejudicar o anunciante ou para inflar a receita de quem publica anúncios. A definição da Central de Ajuda do Google Ads gira em torno de uma ideia só: a intenção por trás do clique, não o resultado dele.

Esse detalhe muda tudo. O Google não julga se o clique foi bom para você. Julga se ele foi "real". Um robô que carrega a página dez vezes por minuto é inválido. Um estudante que pesquisou "quanto ganha um dentista" e clicou no anúncio da sua clínica odontológica é perfeitamente válido. Ele é humano, clicou uma vez e quis ver a página. Que ele nunca vá marcar consulta não entra na conta do Google.

Na prática, cabem em "inválido" coisas como:

  • cliques de bots, rastreadores e scripts que imitam navegação;
  • cliques duplos e repetidos em sequência, que o sistema trata como um só ou descarta;
  • cliques gerados de propósito, seja por um concorrente, seja por um site parceiro da rede de display tentando ganhar mais;
  • tráfego vindo de fontes que o Google já marcou como suspeitas.

O que não cabe: clique de pessoa real com intenção diferente da sua. É aí que mora a confusão que alimenta metade dos tópicos sobre "fraude de cliques" que circulam por aí.

O que o Google devolve, e como isso aparece na conta

A maior parte dos cliques inválidos é filtrada em tempo real e nunca chega a ser cobrada. O que passa pelo filtro e é identificado depois volta como crédito no faturamento. Em nenhum dos dois casos você precisa pedir nada.

Você consegue ver os dois lados disso na interface.

As colunas de cliques inválidos

Na tabela de campanhas, em Colunas, dá para adicionar Cliques inválidos e Taxa de cliques inválidos. Elas mostram quantos cliques o Google filtrou no período e que proporção isso representa sobre o total. Esses cliques não entram na sua coluna de Cliques nem no seu Custo. Já foram descontados.

Muita gente adiciona essas colunas, vê um número alto e entra em pânico. É o contrário: um número ali é um número que você não pagou. A coluna mostra o trabalho do filtro, não um prejuízo.

Os créditos no faturamento

Quando o Google identifica atividade inválida depois de já ter cobrado, o valor volta como ajuste na área de Faturamento, identificado como crédito por atividade inválida. Costumam ser valores pequenos e aparecem sem aviso. Se você nunca abriu o detalhamento de transações, é provável que já tenha recebido créditos assim sem perceber.

Quando vale abrir uma investigação

Se você vê algo que o filtro claramente deixou passar, como um pico de cliques de madrugada, com custo alto, sem nenhum evento na página, dá para pedir uma análise pelo formulário de cliques inválidos na Central de Ajuda. Vá com dados: horários, campanhas, o que o seu analytics registrou. Pedido genérico do tipo "acho que meu concorrente está clicando" raramente leva a algum lugar.

Se o seu problema é volume anormal de tráfego automatizado, o caminho está detalhado em orçamento consumido por bots no Google Ads. Aqui o foco é outro.

O clique que ninguém devolve: irrelevante, mas legítimo

O clique que mais custa na maioria das contas não é inválido. É um clique humano, único, de alguém que pesquisou algo próximo ao que você vende, mas não o que você vende. O Google cobra, cobra certo, e não há reembolso possível.

Alguns exemplos que aparecem o tempo todo em contas brasileiras:

AnuncianteTermo que pagou o cliquePor que nunca vai converter
Escritório de advocacia trabalhista"advogado trabalhista salário"Quer saber quanto ganha um advogado
Empresa de instalação elétrica"curso de eletricista grátis"Quer aprender, não contratar
Assistência técnica de celular"como trocar tela do iphone sozinho"Quer fazer em casa
Loja de móveis planejados"móveis planejados vaga de emprego"Quer trabalhar, não comprar
Clínica de estética"harmonização facial deu errado"Está pesquisando um problema, não um serviço

Nenhum desses cliques é fraude. Nenhum é bot. O Google mostrou o anúncio porque a palavra-chave em correspondência ampla, ou o Performance Max, entendeu que havia relação. E havia: o tema é o mesmo. A intenção é que é outra.

Esse tipo de clique não aparece na coluna Cliques inválidos, não gera crédito e não serve para nenhum formulário. Para o sistema, tudo funcionou como deveria. Se você quer estimar quanto isso pesa no seu orçamento, o cálculo passo a passo está em quanto você perde por mês com cliques irrelevantes.

Um exemplo com números

Pense numa conta hipotética que investe R$ 10.000 no mês, com custo médio de R$ 5 por clique. São 2.000 cliques cobrados.

  • A coluna Cliques inválidos mostra 150 cliques filtrados. Esses 150 não estão nos 2.000 e não custaram nada.
  • No relatório de termos de pesquisa, 300 dos 2.000 cliques vieram de termos como "salário", "grátis", "curso", "vaga" e "como fazer". A R$ 5 cada, são R$ 1.500 pagos por cliques que não tinham chance de virar cliente.

O anunciante que olha só para "cliques inválidos" acha que está protegido. Os R$ 1.500 continuam saindo todo mês, e vão continuar enquanto nenhum desses termos for negativado. Os números são ilustrativos; nas contas que auditamos, a parcela gasta em termos sem chance de conversão varia muito por segmento e por tipo de correspondência, e quase sempre é maior que a parcela de tráfego inválido que o Google reporta.

Por que o conselho que circula está incompleto

Quase todo conteúdo sobre cliques inválidos recomenda a mesma coisa: monitorar a taxa de cliques inválidos, excluir IPs suspeitos e acionar o Google. Tudo isso é válido, mas trata do problema menor e ignora o maior.

O roteiro padrão tem três falhas.

Primeira: ele parte da suspeita de fraude. O anunciante vê CPA subindo e cliques sem conversão, e a explicação mais confortável é "alguém está clicando de propósito". É uma explicação que tira a responsabilidade da configuração da conta. Muitas vezes, quando abrimos os termos de pesquisa de quem chegou convencido de que sofria fraude, o que aparece é uma lista de buscas informativas, de emprego, de "grátis" e de concorrentes. Gente real, com intenção errada.

Segunda: exclusão de IP resolve pouco. Ela funciona contra uma pessoa fixa num endereço fixo, como o seu próprio escritório ou um concorrente teimoso numa rede corporativa. Não funciona contra bots, que trocam de IP, nem contra o tráfego irrelevante, que vem de milhares de pessoas diferentes. E o clique do concorrente, quando existe, em geral já é pego pelo filtro do Google se for repetitivo.

Terceira: ele não olha para o relatório de termos de pesquisa. Esse é o relatório que mostra o que as pessoas digitaram antes de clicar. Sem ele, não dá para distinguir "clique ruim por fraude" de "clique ruim por intenção". Se você nunca abriu esse relatório com calma, comece por termos de pesquisa do Google Ads em dez minutos.

Ferramentas pagas de "proteção contra fraude de cliques" seguem a mesma lógica: bloqueiam IPs e dispositivos. Podem ter utilidade em nichos muito disputados, com concorrência agressiva. Mas elas não enxergam o termo "curso de eletricista grátis", porque para elas esse visitante é um humano legítimo, e é mesmo.

Como separar um problema do outro

Olhe três coisas, nesta ordem: a taxa de cliques inválidos, o comportamento na página e o relatório de termos de pesquisa. Na maioria dos casos, a resposta aparece no terceiro.

1. Taxa de cliques inválidos

Adicione as duas colunas e compare semanas. Uma taxa estável, mesmo que não seja baixa, indica que o filtro está trabalhando e você não está pagando por isso. Um salto repentino merece investigação, sobretudo se coincidir com queda de conversões. Lembre: o que está nessa coluna já foi descontado.

2. Comportamento na página

No seu analytics, cruze os cliques pagos com o que aconteceu depois. Sinais típicos de tráfego automatizado ou malicioso:

  • sessões de zero segundo em sequência;
  • picos em horários em que seu público não está acordado;
  • concentração em uma única região ou dispositivo sem motivo de negócio;
  • cliques no Google Ads muito acima das sessões registradas no site.

Sinais típicos de tráfego humano irrelevante:

  • a pessoa entra, lê um pouco, vai embora;
  • navega até a página de "trabalhe conosco" ou procura preço de curso;
  • a distribuição de horários parece normal.

O primeiro grupo é assunto de cliques inválidos. O segundo, não.

3. Termos de pesquisa

Abra Insights e relatórios > Termos de pesquisa, ordene por custo e leia os cinquenta primeiros. Se você encontrar termos que nenhum vendedor seu atenderia, achou o vazamento. É frequente ver os mesmos padrões voltando mês após mês, mesmo depois de alguma limpeza; o motivo disso está em termos de pesquisa irrelevantes recorrentes.

No Performance Max o caminho é menos óbvio, mas os termos existem e podem ser consultados. Search, Shopping e Performance Max registram termos de pesquisa, todos na mesma visão da API (campaign_search_term_view). Display, Vídeo e App não registram nenhum. Os detalhes de onde achar cada um estão em termos de pesquisa do Performance Max.

O que a negativa resolve, e o que ela não resolve

Uma palavra-chave negativa impede que o anúncio apareça de novo para aquele tipo de busca. Ela resolve o clique irrelevante de forma permanente. Não resolve bot nem fraude, porque esses não dependem do que foi pesquisado.

A divisão de trabalho fica assim:

  • Tráfego inválido: o Google filtra e credita. Você monitora e, em casos claros, pede investigação.
  • Clique irrelevante legítimo: ninguém filtra e ninguém credita. Você negativa.

Alguns cuidados para que a negativa ajude e não atrapalhe:

Escolha o tipo de correspondência com intenção. As negativas têm três tipos: ampla, de frase e exata. A negativa ampla tem comportamento pouco previsível quando combinada com os diferentes tipos de correspondência das suas palavras-chave. Para termos como "grátis" ou "salário", que não deveriam aparecer em nenhuma combinação, a frase costuma ser mais segura. Para bloquear uma busca específica sem afetar variações úteis, use exata. A lógica completa está em tipos de correspondência no Google Ads e o erro da ampla.

Coloque no nível certo. Search e Shopping padrão aceitam negativas em campanha, em grupo de anúncios e em listas compartilhadas. O Performance Max aceita até 10.000 negativas no nível da campanha, mas não aceita listas compartilhadas. Quem gerencia várias campanhas PMax precisa replicar as negativas em cada uma. Veja onde colocar palavras-chave negativas no Google Ads para decidir caso a caso.

Não negative o que já vendeu. Um termo com cara de irrelevante às vezes converte. "Advogado trabalhista gratuito" pode trazer quem depois paga honorários de êxito. Antes de bloquear, confira o histórico de conversões do termo.

Não espere resolver Display e Vídeo assim. Como essas redes não registram termos de pesquisa, não há o que negativar ali por busca. O controle nesses casos é de posicionamento e público, e o tráfego inválido nessas redes é assunto do filtro do Google.

Onde o PPCleaner entra, e onde não entra

O PPCleaner cuida do lado que o Google não devolve: lê toda noite os termos de pesquisa que a conta pagou em Search, Shopping e Performance Max, identifica os que nunca iam converter e os adiciona como negativas. Não detecta bot, não pede reembolso e não substitui o filtro de cliques inválidos do Google.

O que ele faz, em termos concretos:

  • lê os termos das campanhas de Search, Shopping e Performance Max;
  • julga quais não tinham chance de conversão, como buscas de emprego, de curso, de "grátis" ou de "como fazer sozinho" quando você vende o serviço;
  • adiciona as negativas no lugar que cada tipo de campanha aceita, respeitando o limite de 10.000 por campanha no Performance Max;
  • nunca bloqueia um termo que converteu nos últimos 90 dias;
  • permite desfazer qualquer bloqueio com um clique, por 90 dias.

O que ele não faz: não mexe em orçamento, lance, anúncio nem palavra-chave. Não atua em Display, Vídeo ou App, porque essas campanhas não reportam termos. E não vai te dizer se um concorrente está clicando no seu anúncio. Para isso, as colunas de cliques inválidos e o formulário do Google continuam sendo o caminho.

Se você prefere fazer a limpeza à mão, dá para fazer. O limite é de frequência: termos novos aparecem todos os dias, e uma revisão mensal deixa trinta dias de cliques passarem antes de cada bloqueio. A comparação entre os dois jeitos está em excluir termos de pesquisa automaticamente todo dia.

cliques inválidosgasto desperdiçadotermos de pesquisapalavras-chave negativas

Perguntas frequentes

O Google reembolsa cliques inválidos?

Sim, de duas formas. A maior parte é filtrada antes da cobrança e nunca entra no seu custo. O que é identificado depois volta como crédito por atividade inválida na área de Faturamento, sem que você precise pedir.

Um clique de alguém que pesquisou algo sem relação com meu negócio é clique inválido?

Não. Se uma pessoa real pesquisou "curso de eletricista grátis" e clicou uma vez no anúncio da sua empresa de instalação, o clique é válido para o Google e foi cobrado corretamente. Não há reembolso. O que resolve é adicionar uma palavra-chave negativa para que o anúncio não volte a aparecer nessa busca.

Onde vejo os cliques inválidos da minha conta?

Na tabela de campanhas, em Colunas, adicione Cliques inválidos e Taxa de cliques inválidos. Elas mostram o que o Google filtrou no período. Esses cliques já foram descontados: não estão na coluna Cliques nem no Custo.

Excluir IPs resolve o problema de cliques sem conversão?

Raramente. A exclusão de IP funciona contra um endereço fixo, como o seu escritório ou um concorrente numa rede própria. Não funciona contra bots, que trocam de IP, nem contra o tráfego humano irrelevante, que vem de milhares de pessoas diferentes. Para esse último, o caminho é o relatório de termos de pesquisa e as negativas.

Negativas funcionam no Performance Max?

Sim. O Performance Max aceita até 10.000 palavras-chave negativas no nível da campanha. Ele não aceita listas compartilhadas, então cada campanha precisa receber as suas.

O PPCleaner detecta fraude de cliques?

Não. O PPCleaner trata dos cliques irrelevantes e legítimos, que o Google cobra e não devolve. Ele lê os termos de pesquisa de Search, Shopping e Performance Max e adiciona negativas. Detectar e reembolsar tráfego inválido é papel do filtro do próprio Google.

Sobre o autor

Alain Abulafya

Fundador do PPCleaner · Consultor de Google Ads e media buyer

Alain trabalha com marketing digital há mais de 15 anos, mais de 10 deles dedicados à gestão e à otimização de campanhas de Google Ads. Já atendeu mais de cem anunciantes de e-commerce e geração de leads e é Google Partner. Criou o PPCleaner para automatizar a análise de termos de pesquisa que fazia manualmente para seus clientes.

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